SINOS E VALSAS
Os sinos de Jerusalem nunca emudeceram;
Sera que as valsas Vienenses ensurdeceram,
Afinal,
Os filhos de Israel?
Shmuel de Mattos
SINOS E VALSAS
Os sinos de Jerusalem nunca emudeceram;
Sera que as valsas Vienenses ensurdeceram,
Afinal,
Os filhos de Israel?
Shmuel de Mattos
COMO SEI QUE ELE JAMAIS IRIA PUBLICAR ALGO SEU AQUI, PENSANDO QUE ASSIM ESTARIA SE AUTOPROMOVENDO, DEIXA QUE EU RECONHEÇA O TALENTO DESSE GRANDE AMIGO MOSTRANDO UM POUCO DO SEU TRABALHO.


Um grupo de pesquisadores de diversas universidades européias e de renomados institutos de pesquisa analisou haplótipos (tipos de seqüencias de DNA) do cromossomo Y de 1140 homens da Península Ibérica e das Ilhas Baleares. Os resultados surpreendentes demonstraram que em média 19,8% da população masculina ibérica descende diretamente de judeus sefarditas (judeus ibéricos) e 10,6% descende de mouros (berberes do Norte da África).
Os resultados contradizem certas fontes historiográficas tanto dos meios judaicos quanto não-judaicos que afirmavam que a maioria da população judaica original havia abandonado a Península Ibérica em virtude das perseguições religiosas em direção a outros países do Mediterrâneo e da Europa Central. Contradizem também as afirmações dos historiadores de que a população moura (islâmica, de ascendência norte-africana) havia abandonado a Península após a expulsão de 1492.
Conclui-se a partir dos dados do estudo que uma enorme parcela de mouros e judeus permaneceram na Península Ibérica mesmo após as expulsões e as perseguições, de modo que seus genes podem ser observados em grandes proporções ainda hoje na população local.
A origem basca é a de maior proporção na população ibérica como um todo, como já era de se esperar, beirando a 70%, na média de todas as regiões geográficas. O que surpreendeu foi a alta proporção média de descendentes de judeus sefarditas, variando de zero% em Minorca a 36,3% no sul de Portugal, e a de norte-africanos, variando de zero% na população da Gasconha a 21,7% na população do noroeste de Castela.
Veja no mapa a proporção de descendentes de mouros, judeus e ibéricos (bascos) na população da Península Ibérica, por região geográfica. Quanto maior a barra, maior a proporção dos descendentes daquele grupo étnico na população atual da região.

Estas proporções atestam que ao invés da saída da Península Ibérica, ocorreu um alto nível de conversões religiosas (sejam voluntárias ou forçadas) das populações de mouros e judeus, em consequência de episódios de intolerância social e religiosa, resultando em última instância na assimilação dos descendentes de mouros e judeus ao grosso da população ibérica. Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que o componente genético judaico sefardita é o mais antigo, corroborando os registros históricos.
Curiosamente, a maior prevalência de descendentes de judeus ibéricos está no sul de Portugal, país do qual veio a maior parte de imigrantes brancos para o Brasil. Estudos semelhantes poderiam ser feitos no país para que se possa conhecer com precisão qual foi a real contribuição dos componentes mouro e judaico na colonização brasileira.
Leia o estudo completo sobre a composição genética da população ibérica
Acredito que o Judaísmo Humanista tenha como dever resgatar e honrar a memória dos não-judeus que praticaram a Tsedaká com nosso povo nos momentos mais difíceis. São tantos... e a maior parte desconhecidos de nós e de nossos filhos. Temos que legar a eles essa história. Destaco apenas alguns:
Acho que nós, Judeus Humanistas, temos essa entre as nossas tarefas. Oxalá um dia possamos ter um museu virtual que honre a memória dessas pessoas, incluindo entre elas os árabes que salvaram 500 judeus do massacre de Hebron em 1929, e incluindo também judeus que salvam e ajudam palestinos hoje em dia.
Temos conosco nesta semana uma representante deste último grupo, a rabina Jill Jacobs, diretora do Rabbis for Human Rights North America. Os RHR em Israel se dedicam principalmente à reconstrução de casas demolidas injustamente pelo Exército israelense.
Ou seja, esse espírito que trouxe uma Irena Sendler está vivo e presente hoje, e aberto para que todo judeu humanista o assuma como parte de seu judaísmo.
FOME NO MUNDO E O SILÊNCIO TUMULAR DE ISRAEL
Em vez de um envolvimento internacional desgastante, inócuo, contraproducente, fadado ao redondo fracasso contra o reconhecimento do Estado árabe palestino, Israel deveria estar envolvido com problemas mais sérios que afetam a humanidade, como a grave epidemia de fome que já atinge a 1 bilhão de seres humanos pobres e miseráveis do planeta.
Um Estado que está a exigir o reconhecimento de que é o país representativo do povo judeu no conserto das nações, antes de tudo, deveria mostrar a todos o que é um dos mais relevantes preceitos do judaísmo de justiça social, a tzedaká, oferecendo, por meio da FAO, aos paises famintos ajuda técnica para a melhoria da produtividade de alimentos no sentido de conquistar sua auto-suficiência.
Mas, infelizmente, em vez de ir ao encontro dos olhares esperançosos do mundo por uma ajuda de Israel, sabidamente a vanguarda cientifica na produtividade agrícola em solos áridos e maltrados, Israel se alienou por completo da calamidade, ignorando totalmente a sua existência. Na mídia israelense difundida pela Internet- nenhuma palavra, nenhuma linha, nenhuma coluna, nenhum discurso no knesset , nenhum pronunciamento do gabinete sobre a calamidade da fome e subnutrição. Quanto desdém em face a este drama humanitário. Poderia algum judeu consciente no planeta assim agir? Fica a desconcertante indagação no ar....
Shalom,
Marx
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Havana (Prensa Latina) Em 2010, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), advertiu sobre a ameaça que representam os altos custos das matérias primas. Hoje busca com medidas emergentes paliar uma crise alimentar global. |
Na tarde do sábado de 30 de julho, enquanto nos manifestávamos em Jerusalém, olhei ao meu redor e vi um rio de gente que percorria as ruas. Havia milhares de pessoas que levaram anos sem fazer ouvir suas vozes, que haviam abandonado toda esperança de mudança, que se haviam fechado em seus problemas e sua desesperança.
” Pela primeira vez em décadas, há um programa comum humano e cívico ”…” A ocupação é o que mais ajuda o fracasso do sistema de alerta social “…” Faz tempo que não falamos entre nós e, mais anda, que não escutamos ”.
Não lhes foi fácil unir-se aos jovens ruidosos providos de alto-falantes. Quem sabe pela timidez própria de pessoas pouco acostumadas a levantar a voz, sobretudo em meio a um coro de gritos. Às vezes, tinha a impressão de que nos olhávamos assombrados e incrédulos, sem crermos em tudo o que saída de nossas bocas.
Éramos de fato aquela turba, aquela multidão indignada, que levantava o punho como havíamos visto fazer em Tunis, Egito, Síria e Grécia? Queríamos se-lo? Falávamos sério quando gritávamos ” revolução! “? O que ocorreria se o conseguíssemos e os laços que mantinham unida nossa frágil nação se desfizessem? E se os protestos e as paixões se transformassem em anarquia?
E então, depois que começamos desfilar, algo começou a percorrer nossas veias: o ritmo, a energia, o sentimento de unidade. Não uma unidade que nos intimidasse ou nos esmagasse. Era uma unidade heterogênea, diversificada, familiar e individual ao mesmo tempo, uma unidade que nos proporcionava um forte sentimento: aqui estamos, fazendo o que é devido. Finalmente.
Mas aí chegou a desolação: onde estivemos até agora? Como permitimos tudo isto? Como nos pudemos resignar a que o governo, eleito por nós, tenha convertido nossos sistemas de educação e saúde em um luxo? Por que não gritamos e protestamos, quando o Ministério de Economia esmagou os trabalhadores sociais em greve e, antes deles os incapacitados, os sobreviventes do Holocausto, os anciãos e os aposentados? Como é possível que, durante anos empurramos os pobres e os famintos para uma vida de humilhações sem fim, em refeitórios sociais e outras instituições de beneficência?
Como é possível termos abandonado os trabalhadores estrangeiros à mercê de pessoas que os perseguiam e os vendiam como escravos de todo tipo, inclusive sexuais? Por que nos acostumamos à rapina das privatizações, que provocou a perda da solidariedade, da responsabilidade, ajuda mútua, o sentimento de pertencer a uma mesma nação?
Certamente, semelhante apatia se deveu a muitos motivos, mas, na minha opinião, a ocupação é o fator que mais contribuiu para o fracasso dos sistemas de controle e alerta na sociedade israelense.
Os setores mais doentes e perversos da nossa sociedade saíram à superfície, enquanto nós, talvez por temor de enfrentar a realidade das nossas vidas, dedicávamo-nos com grande prazer a todo tipo de coisas concebidas para embrutecer nossos sentidos e ocultar esta realidade. De vez em quando, ao se olhar no espelho, alguns se sentiam satisfeitos pelo que viam. Outros estremeciam. Mas, mesmo estes últimos, diziam: bem, o que vai se fazer. Suspiravam e punham a culpa na “ situação ” [o conflito árabe-israelense], como se fosse o nosso destino ou um decreto das alturas.
Mais ainda, deixamos a TV comercial preencher o vazio da nossa consciência coletiva e passamos a nos definir em função de lutas pela sobrevivência e comportamentos depredadores. A atacarmos uns aos outros sem piedade e a depreciar qualquer um que fosse mais fraco, o diferente, o menos belo, menos rico ou menos preparado.
Havia anos que não falávamos entre nós, e mais tempo ainda que não escutávamos. Ao fim e ao cabo, numa atmosfera de ganância e egoísmo, como não iríamos atacar os demais e pulverizá-los, se isto é precisamente o que nos ensinam a cada momento. Salve-se quem puder!
Quanto mais nos esgotávamos negando sem cessar a realidade, mais convidávamos a opressão, a manipulação e o embrutecimento de nossos sentidos. E nos fomos convertendo em vítimas de uma política secreta – e eficaz – de dividir para vencer.
De modo que uma coisa levou a outra, e nossas reflexões honradas sobre o destino o a fatalidade diminuíram até ficar em pelejar por “ quem ama o Estado de Israel e quem o odeia “,… “ quem é leal e quem é traidor “,… ” quem é um bom judeu ”, em vez de ” quem se esqueceu de que é judeu ”; Qualquer discussão racional está hoje coberta por uma capa de sentimentalismo, o sentimentalismo patriótico e nacionalista do farisaísmo e o vitimismo. A possibilidade de fazer uma crítica inteligente da situação foi se reduzindo e Israel, que hoje atua e se comporta com seus cidadãos de maneira totalmente contrária aos valores e ideais que, em outro tempo, davam-lhe seu caráter extraordinário e o oxigênio que respirava.
Não obstante, de repente, e contra todas as predições, algo se despertou. A gente esfrega os olhos e começa a se abrir a este algo, ainda indefinível e imprevisível, até indescritível, mas que está adquirindo forma através de slogans resgatados, como “o povo exige justiça social! ” e “ queremos justiça, não caridade ” , e outros sentimentos recuperados de épocas anteriores.
Existem no ar indícios de uma provável processo de cura, um ‘tikkun’ e, pela primeira vez em muito tempo, voltamos a nos respeitar, como cidadãos individuais e como povo de Israel.
Este despertar está cheio de força, mas também de ingenuidade, e nos pode embriagar. É tentador deixar-se levar pela euforia, ante tudo o que inspirou esta virada dos acontecimentos, nos iludirmos de que, uma vez mais, estamos derrubando uma velha ordem até seus pés. Mas não é exatamente isto: a velha ordem não estava tão mal. Teve suas grandes conquistas que, entre outras coisas, permitem que o movimento de protesto expresse suas aspirações e que pelo menos algumas delas se façam realidade.
Por isto é imperativo que esta luta utilize uma linguagem distinta da de outras lutas anteriores que este país já teve. Acima de tudo, a luta deve se basear no diálogo, para que sejamos sócios, e não agentes de interesses estreitos e egoístas; pessoas de princípios, e não oportunistas sectários. Para não vivermos segundo o versículo ” cada um em sua tenda, Israel “.
Esta é a única maneira para que este movimento siga tendo o imenso apoio da população com o qual tem contado até agora. O caráter ligeiramente confuso do movimento é precisamente o que faz possível que os distintos grupos reunidos conservem suas próprias opiniões políticas diferentes ao mesmo tempo que compartem – pela primeira vez em decênios- um programa comum humano e cívico, que nos torna orgulhosos de pertencer a esta comunidade. Quem, em Israel, pode permitir-se o luxo de renunciar a bens tão escassos?
Este movimento de protesto e seus ecos nos oferecem uma oportunidade de aproximação entre distintos elementos da sociedade que não se comunicavam há gerações: religiosos e laicos; árabes e judeus; membros de classes sociais distintas e distantes.
Neste processo de identificar o que tem em comum e o que podem conseguir, inclusive a direita e a esquerda podem empreender um diálogo mais realista e abrangente: por exemplo, sobre a apatia da esquerda ante os que tiveram que se realocar após a retirada de Gaza, uma ferida aberta entre os colonos. Tal diálogo talvez possa ainda salvar o que for possível do conceito de solidariedade, que um país em nossa situação não pode deixar desaparecer.
Em outras palavras, podemos encontrar este movimento de protesto nas palavras do poeta Amir Gilboa -” Um día, um homem desperta pela manhã e sente que é uma nação, e começa a caminhar ” , e continuando como o poema: ” E a todos os que encontra pelo caminho, diz: “ Que a paz esteja contigo! ”.
É fácil criticar a evolução deste movimento recém-nascido e lançar dúvidas sobre ele. Sempre é mais simples encontrar motivos para não fazer algo audacioso e definitivo. Mas quem escutar as batidas dos corações dos manifestantes – não só no boulevard Rothschild e Tel Aviv, mas também nos bairros pobres do sul da cidade, e nos de Jerusalém, Ashdod, Haifa e Beit Shean- perceberá que se abriu uma janela para um futuro diferente.
Este é o momento propício para que aconteça algo assim e, para grande surpresa de todo o mundo, a gente, por fim, está verdadeiramente aderindo à causa. Talvez seja isto o que queria dizer a jovem que se aproximou de mim na manifestação de Jerusalém e me disse: “ Olhe. Ainda faltam líderes, mas o povo já está aqui “.
David Grossman é um dos mais premiados escritores israelenses e veterano ativista do Movimento PAZ AGORA.
[ Publicado no Yediot Achronot em 05/08/2011 e traduzido por Moisés Storch para o PAZ AGORA|BR ]
© A reprodução deste conteúdo é permitida, desde que sejam mencionados os devidos créditos aos autores, tradutores, à fonte e aos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA.
Nota de Pesar e Esperança
Os Amigos Brasileiros do PAZ AGORA condenam veementemente os recentes ataques terroristas ao Sul de Israel.
Estamos solidários com as famílias enlutadas pela perda de seus familiares, seres humanos insubstituíveis.
O terrorismo é injustificável, independentemente de quem o cometa e de qual seja o seu alvo.
Esperamos que o terror não tenha sucesso no seu maior objetivo, o de acirrar o ódio e fortalecer os extremistas dos dois lados; que esses ataques covardes não sirvam de estopim para uma nova espiral de violência.
A única solução para este conflito é o respeito às justas aspirações nacionais de judeus e palestinos à plena liberdade e soberania em suas próprias terras.
Que os líderes israelenses e palestinos se empenhem na negociação diplomática do conflito, rumo a uma solução de Dois Estados – Estado de Israel e Estado da Palestina - vivendo pacificamente lado-a-lado.
A opção é a do diálogo, do reconhecimento mútuo e da coexistência.
Saudamos os palestinos e israelenses que insistem no caminho da paz.
Conclamamos a diplomacia brasileira e a comunidade internacional a apoiá-los.
Amigos Brasileiros do PAZ AGORA - 20|08|2011
Quero compartilhar e comentar a ideia que me enviou o Dr. Konrad Yona Riggenmann, que vive na Alemanha.
"Numa palestra da ONG alemá "Pax Christi" com um velho casal de pacifistas Israeli eu fiz a proposta, que paises como Brasil guarantirem "bracos abertos" para todo Judeu no caso de perseguicao - para combater o medo louco de que somente o estado de Israel valer como asilo ... Bem, talvez uma proposta louca mesmo..."
Konrad, não considero louca, não.
Ao contrário.
Acho, porém, que ela deve ser simétrica: oferecer os mesmos braços abertos (como traduzir isso em formato de projeto de lei é um problema para os legisladores resolverem) para refugiados palestinos. Foi uma resposta que os negociadores da Iniciativa de Genebra encontraram diante da impossibilidade de resolver o "direito de retorno". Isso é uma postura que pode facilitar ao Brasil um papel de protagonista proativo na resolução do conflito.
O simples fato de tratar ambos de forma simétrica seria uma mensagem para a comunidade internacional de que a cada país pode caber uma parte na resolução positiva dos conflitos étnicos, podendo ser precedente para outros conflitos. Acho que o Brasil tem perfil para inovar nessa questão, e terá ao seu lado países do Primeiro Mundo como Austrália, Canadá e outros.
Vou compartilhar essa ideia nas minhas andanças por aí.
Um abraço
protestaram neste sábado em diversas cidades da periferia de Israel para pedir "justiça social", no quarto sábado consecutivo de manifestações contra o aumento do custo de vida. A maior concentração foi registrada na cêntrica Ben Gurion Boulevard de Haifa, a terceira maior cidade do país, enquanto em Be'er Sheva, no deserto do Neguev e onde se esperava o maior número de manifestantes, cerca de 12 mil pessoas protestaram, número inferior ao calculado pelos organizadores, segundo emissoras de televisão locais.
A onda de protestos em Israel começou em Tel Aviv pelos altos preços da moradia. A minoria árabe participou pela primeira vez dos protestos, embora de forma discreta, com manifestações em alguns pontos específicos. Dessa vez os organizadores dos protestos em Israel preferiram não convocar manifestações em Tel Aviv nem em Jerusalém, mas na periferia, com o objetivo de mostrar o caráter nacional do protesto.
As manifestações começaram no final da tarde de sábado, ao terminar o "shabat" (descanso semanal). Nas manifestações também era possível ver bandeiras que pediam a libertação do soldado Gilad Shalit, detido em Gaza desde 2006. Além disso, Be'er Sheva contou com uma forte presença de estudantes entre a multidão.
O presidente do sindicato de estudantes da Universidade Ben-Gurion, que participou dos protestos, declarou que o Governo de Benjamin Netanyahu não é "o único responsável pela situação", mas ressaltou que é ele que terá que "encontrar soluções". "Amamos este Estado. (...) Mas queremos viver em nosso país com dignidade", disse ele, segundo o site do jornal Yedioth Ahronoth.

Milhares de pessoas lotam área central de Tel Aviv para protestar contra o governo neste sábado
Foto: AP
Estas manifestações, as maiores da história de Israel por questões sociais, são consideradas um teste para a continuidade do movimento, que começou há três semanas e segue crescendo.
Os organizadores dos protestos comemoraram o número de participantes superior a 200 mil que esperavam reunir para obrigar o governo conservador israelense a ceder as suas reivindicações de "justiça social".
O porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld, estimou em "mais de 200 mil o número de manifestantes em Tel Aviv e em 30 mil os reunidos em Jerusalém", enquanto várias pessoas continuavam chegando aos locais dos protestos.
Em um protesto anterior, realizado na semana passada, mais de 100 mil pessoas participaram das manifestações em Tel Aviv e em várias cidades israelenses.
Usando bandeiras israelenses e algumas bandeiras vermelhas, os manifestantes de Tel Aviv bradavam: "o povo exige justiça social", "o povo contra o governo".
Eles exibiam cartazes pedindo "solidariedade" e uma grande faixa com a inscrição "isto é o Egito", em referência ao movimento popular que derrubou o presidente Hosni Mubarak.
O movimento de protesto israelense, iniciado em meados de julho contra o aumento dos preços imobiliários, mobiliza principalmente as classes médias.
Entre suas exigências está a construção de casas de aluguel a preços mais baixos, o aumento do salário mínimo e escola gratuita para todas as idades

Se você é um turista cético, como eu, Tel-Aviv é o melhor lugar para lhe servir de base. Para começar, a cidade tem mais bares do que sinagogas, como os boêmios nativos gostam de lembrar. Com cerca de 400 mil habitantes, é um lugar tranquilo e paradoxalmente movimentado. Tem belas praias que dão para o Mediterrâneo, vida cultural intensa e uma noite variada, com uma quantidade razoável de opções para diferentes públicos.
Tel-Aviv ainda tem a seu favor a localização geográfica, que favorece a escolha de quem pretende partir dali para conhecer outras cidades israelenses: fica no litoral, mas estrategicamente no centro, em um país que tem forma de tira. Dali, você pode facilmente se locomover para Jerusalém, Holon, Acre e até Sderot, na beirada do conflito, como eu fiz, em busca de marcos históricos, praias e alguma experiência de vida.
E, claro, Tel-Aviv tem um aeroporto internacional, o Ben Gurion, tido como um dos mais seguros do mundo. E aí cabem algumas considerações. Por causa do complexo conflito com a Palestina, o governo de Israel toma todas as medidas que considera necessárias para garantir a segurança da população. Por isso, esteja preparado para longas entrevistas na chegada e na saída. Também não é incomum que suas malas sejam revistadas. Os procedimentos de segurança são realizados ainda antes do check-in. Então, lembre-se de chegar ao aeroporto com, no mínimo, três ou quatro horas de antecedência.
No meu caso, fui retido para avaliação quando estava deixando o país. Passei por uma longa entrevista com um funcionário tão gentil quanto metódico. Ele queria saber exatamente tudo o que fiz durante a minha visita a Israel e repetia algumas perguntas para ver se eu entrava em contradição. Para a minha própria segurança, ele garantia.
O curioso é que, fora o aeroporto, estar em Tel-Aviv faz você esquecer que o país está há décadas em situação de conflito. É uma cidade praiana bonita, limpa, ensolarada, com pessoas na rua desde cedo até tarde da noite.
Atmosfera. Todas as construções (habitacionais e comerciais) têm jardins, por determinação da lei. A orla de 13 quilômetros é emoldurada por largos calçadões de pedra portuguesa, confessadamente inspirados nos do Rio. Além disso, muitos prédios foram construídos no estilo Bauhaus, baixos, arredondados e sempre claros, para refletir a luz. Por tudo isso, em Tel-Aviv, você só se lembra dos ataques quando liga a tevê ou participa de uma conversa com moradores. Eles são bons de papo.
Os idiomas oficiais em Israel são o hebraico - não o iídiche, como se pode supor - e o árabe, mas impressiona como o inglês é comumente falado. Em geral, basta dizer algo em inglês para que automaticamente passem a conversar com você no idioma.
Talvez seja reflexo de um dado curioso: proporcionalmente, Israel é o país cuja população tem o maior número de diplomas universitários. Mas isso se deve, também, a uma característica muito emblemática - o multiculturalismo. Como Israel foi criado em 1948 por judeus que viviam em diversas partes do mundo (inclusive locais), a cultura e a comida tiveram muita influência estrangeira. Estima-se que 75% da população tenha origem étnica e cultural influenciada pela vida em outros países.
E é nos restaurantes que esse fenômeno se torna ainda mais saboroso. Itens da gastronomia local, como o homus, compartilham o cardápio com clássicos estrangeiros e fusões surpreendentes. Eu, por exemplo, que sou vegetariano, fui surpreendido por uma versão sofisticada do manjado yakissoba chinês no restaurante Eldad Vezehu, no bairro de Nachalat Schiva, em Jerusalém. Feito com massa fresca, tinha um molho denso e equilibrado.
Tenha cuidado, no entanto. Como uma jovem israelense me advertiu, você pode, em algum momento, se deparar com um sushi de requeijão. Mas até isso pode render uma boa história.
* O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO CONSULADO DE ISRAEL

- O QUE LEVAR
Proteção solar
Israel é um país muito iluminado. Então, leve bloqueador solar, hidratante labial e cantil. Ah, bonés e chapéus também. Eles podem ser úteis por outro motivo, além de proteger do calor: em alguns lugares, como o Muro das Lamentações, homens não entram com a cabeça descoberta
Sapatos confortáveis
Templos, mercados, museus, bairros... Na maior parte do tempo, seus pés serão o seu principal meio de transporte
- O QUE TRAZER
Cosméticos
A lama do Mar Morto, vendida em lojas de duty free e nos shopping centers, é um presente bem-humorado. Também há xampus, sabonetes e hidratantes feitos com substâncias extraídas da região. E sai mais barato do que comprar cosméticos convencionais de grife
Roupas
Em Tel-Aviv, você encontra as principais redes de fast-fashion ainda não disponíveis por aqui, como Gap, Top Shop e H&M