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Política externa de Israel é autodestrutiva
por Moisés Storch, publicado no Terra Magazine
O pedido de adesão dos palestinos à ONU é mais que legítimo. Já em 1947, a ONU sancionou a partilha da Palestina entre um Estado Judeu e um Estado Árabe. A mesma resolução internacional que legitimou a criação do Estado de Israel, legitima igualmente a construção de um Estado Palestino.
À época daquela decisão da ONU, palestinos e países árabes, em bloco, recusaram a partilha. Por muito tempo pregaram o boicote e a destruição de Israel. Em meados dos anos 70, esta rejeição começou a se dissolver, o que levou à assinatura de acordos de paz de Israel com Egito e Jordânia. O reconhecimento mútuo da OLP e Israel, em 1993, criou condições para uma partilha negociada e a coexistência de dois Estados - Israel e Palestina.
A Liga Árabe aprovou uma proposta, em março de 2002, onde todos seus membros estabeleceriam relações pacíficas com o país, sob a condição de Israel recuar de todos os territórios ocupados em 1967. Jerusalém Oriental seria a capital do Estado Palestino e o problema dos refugiados palestinos teria uma solução acordada com Israel conforme a Resolução 194 da ONU (a redação deste aspecto é um tanto dúbia, mas poderia ser esclarecida logo no início das eventuais conversações).
O governo Sharon simplesmente ignorou a proposta (que vige até hoje), assim como a Iniciativa de Genebra (www.pazagora.org/genebra), onde personalidades israelenses e palestinas chegaram a um acordo não-oficial que oferecia soluções de compromisso para cada tema crítico do conflito.
O atual presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, antes de suceder Yasser Arafat, já condenava publicamente os ataques terroristas palestinos (posição rara àquele tempo). A principal plataforma na sua eleição, que sempre honrou, é a busca da solução de dois Estados, mediante negociações com Israel. Vários de seus ministros participaram ativamente da Iniciativa de Genebra.
Abbas, certamente, é o melhor interlocutor potencial para se chegar a um acordo de paz. Mas praticamente não encontrou eco nas autoridades israelenses. E jamais houve governo tão averso ao diálogo quanto o atual.
Hoje, com a longa estagnação do processo de paz, o pedido de admissão na ONU é uma cartada arriscada, mas talvez não haja outra forma de assegurar a calma na Cisjordânia, face ao contínuo avanço dos assentamentos judeus sobre terras palestinas.
O clima crescente de frustração dos palestinos, que apostaram na promessa de Abbas construir um Estado, pode hoje resultar numa "primavera" árabe-palestina que ameace o governo da Fatah (partido de Abbas) e fortaleça o Hamas e outros grupos extremistas que pregam a destruição de Israel. Se Abbas cair, é muito grande a probabilidade de uma nova Intifada.
A ida à ONU talvez seja o último recurso pacífico, neste momento, para o reinício das negociações e a construção efetiva do Estado árabe-palestino, dada a obstinação do governo Netanyahu em boicotar o processo de paz e prosseguir na política suicida de ocupação da Cisjordânia.
É vital que Israel adote atitudes imediatas e decisivas para catalizar positivamente este momento delicado e histórico. Caso não haja o atendimento mínimo dos legítimos anseios do povo palestino, a violência explodirá.
A política externa de Israel, conduzida pelo ultra-direitista Avigdor Lieberman, tem sido absurdamente autodestrutiva. Israel, cada vez mais isolado acaba de perder seus principais aliados no Oriente Médio, Egito e Turquia. Se as relações exteriores do país continuarem seguindo este modelo, a perspectiva será desastrosa.
As centenas de milhares de israelenses, que têm ido às ruas protestar contra o governo Netanyahu/Lieberman, começam a correlacionar seu empobrecimento com os enormes investimentos de dinheiro público canalizados para os assentamentos na Cisjordânia ocupada.
A ocupação está destruindo Israel e o processo de paz.
acabei d'asistir um programa na tv5 monde, q na vera, foi produzida pela radio canada q m'encasquetou um tiquinho...
O documentário falava sobre o avanço das posturas religiosas e conservadoras no país no que tange a variados aspectos, e no caso especifico a do aborto (independente dos posicionamentos sb o tema, lembrei-me do Brasil no discurso utilizado). porem o q + me chamou atenção foi a aliança q esa direita evangelica (nada contra os irmãos evangelicos...tenho inclusive alguns parentes do genero!) stá fazendo c a direita de Israel (tb n sou vinculado a squerda ou a qlqer partido politico ate agora!).
Bem a treta é a seguinte: Ese grupo d'evangelicos creem q o fim stá proximo e p tanto todos os judeus devem star na Holy Land p q a redençao aconteça. té ai, no problems, ps cada 1 crê como bem entende, e inclusive a tradiçao judaica conservadora cre em coisas parecidas, ms o problema é q como o premier do pais sta relacionado a ese grupo, eles tão com uma politica de apoio irestrito a todas as açoes israelenses e iso é um negocio serio.
É ululante q eu apoio Israel, amo a terrinha, rezo p ela e a defendo c unhas e dentes (inclusive tive uma discusãozinha com uma ex-profª minha durante a graduaçao p causa dos conflitos, etc.), porem acho problematico toda postura "acritica", e imbuida de um carater misionario. Apesar de achar o programa mezzo tendencioso (daqele discurso
repetitivo e de vitimação da squerda), um apoio totalizante as politicas do governo israelense (q n é Israel e sim qm stá governando no momento!) é perigoso pq em nome da verdade q os céus me revelou eu poso achar q tenho o direito de fazer tudo contra os q s contrarios a mim, pq eses cabras s do Guerko (do Djabo= Diabo), do mal , do sitra achra, etc.
E se nem em Israel há unanimidade (inclusive é stranho a l'esprit juif), creio q esa é uma postura politica complicada.
Como é tb um certo tabu hoje no galut (se é q'ele inda existe) realizar criticas as posturas do governo israelense ou a nosos mitos fundadores dentro da comunidade. qm o faz é logo olhado de banda (os motivos p iso poso discutir depois e creio q o bernardo sorj xplica bem direitinho...).
esa mistura pode te ser coincidentes agora, ms se mostrarão problematicas + na frente a medida q Israel s'inclina + a direita religiosa, perde o apoio internacional, seus jovens se sentem menos representados e qndo cair a ficha q os charedim e os crentes n tão sperando o msmo justiceiro p o fim do mundo.
a proposito o nome do programa é Le point.
Shanah Tobah!
Shlalom querido,
Como vai...Gostarai de entrar em contato com você pois queria organizar um grupo de 10 pessoas para estar ai no seu local de morada ou KIbutizim...qual seria o valor? me envie seu telefone pois o grupo esta fechado!!!!
Faedor Judaicus
Quando à noite,
a sonolência deita e pesa sobre a rede de minhas pálpebras,
em reverência, eu curvo o rosto
e os meus lábios em devoção beijam a Torah que tenho ao lado de minha cama.
Então eu sinto
o cheiro simples do Shabat,
das velas acesas com sua luz bruxuleante e do calor qu'elas me fazem na oração,
das vestes da rainha noiva e das flores que lhe traz o seu Querido de Alma,
do vento vagaroso entre as árvores sem cheiro
no meu caminho de pés a Esnoga.
Aí, minh'ansiedade de melancólico sossega
e eu fico a desfrutar do cheiro dolente do Kidush,
cheiro do meu povo a escutar e a tentar
aprender
(conferindo no Midrash, no Rashi e no Baal haTurim)
as palavras perfumadamente repetidas
de Seu Isaac as parashiot
e do mar matutino de suas tevilot.
Chega mais tarde, o dias e o anoitecer
e eu continuo a sentir o cheiro anasalado
do meldar esforçado do moço pio
e do sorriso discretamente envergonhado
da moça que me fita ao lado da Arca
e exala o gracejo das flores de Shavuot.
Eu sinto o cheiro de cravo, arruda e gengibre
na caixinha de bessamim
que como o meu,
muitos narigões aduncos e aquilinos tentam aspirar
como o cheiro do "vinho do rabino" derramado no prato português,
onde ponho os dedos guardiões e patriarcais
que depois espalho pela testa morena amarelo-esverdeada,
a orelha e os bolsos na hora compenetrada de Habdalah.
Sim, sinto o cheiro do mito gigante da judeidade
que me é capaz de unir ao odor vazio de deserto paralisado
quando concordamos em ser perfumes
ao pé fumegante do Sinai.
Sinto o cheiro dos laranjais de Sefarad,
dos cajueiros do Camaragibe,
dos flüdens de pêssach da idish mamma ashkenazi,
dos olivais dos montes de Sião
qu'encachearam meus cabelos com o perfume de óleo para unção.
Eu sim, sinto o cheiro do Passado distante e profundo
que venho guardando desde pequeno nalgum lugar em mim,
que vazio preenche-se com o perfume semanal
de minh'alma adicional
de um dia só.
E neste dia eu sinto o cheiro da roupa de Pai Jacó,
perfumada d'Éden
que é o cheiro que dou em D'us.
Nuno Brito
Ao adentrar esse blog, acho na obrigação de m'apresentar: Meu nome é Creso Nuno Moraes de Brito. Tenho 25 anos, sou pernambucano, historiador e professor, brasileiro e judeu.
Como o nome denuncia não sou nenhum asquenaze ou sefarade magrebino ou levantino e sim descendente de judeus portugueses q estão aki em PE desde o tempo dos batavos, na verdade, como minhas raízes familiares são mto antigas, alguns avot cá aportaram desde o início da colonização tuga nessas paragens.
Aproximei-me do judaísmo aos 15 anos e aos 18 fiz brit (com medico judeu e benção) e os procedimentos necessarios p minha inserção oficial ou oficiosa na kehila, embora p os ortodoxos eu continue n sendo yahud, ms c todo respeito a eles, isso n m'encasqueta o juízo pq sei o q recebei e sei bem o q sou...ao entrar na comunidade (a velha sinagoga q frequentava era composta por sefas, alguns ashkes e a maioria de marranos ou anussim ou q se identificavam assim e curiosos esporádicos) aprendi a pluralidade - nem sempre mui cordial- dos judeus. E inda tinha o ishuv dos ashkes q foram s'acostumando com a ideia da marranada "de pouquim em pouquim" (de fato, ainda tão s'habituando) q'eu fui nalgumas solenidades e alguns iamim noraim... Em meio a intrigas e amizades, carinhos e descarinhos, ortodoxias e desleixos e a muitas sidrot da Torah (no sentido de Ensino e n só de pentateuco e talmud, embora os inclua) e mucho meldar (adoro a chazanut mezzo sefa, mezzo ashke de mia esnoga)...ah...e um pokito de ivrit y mazales...fui (re)construindo meu Judaísmo. E esse é o componente mais importante de minha personalidade, embora obviamente não o único.
Porém só pude m'aprochegar pq tinha uma base, existia um passado ou resquicios de um passado judaico em minha familia, meio confusos e apagados, porem q a tia mais velha alertava em sua extremada religiosidade catolica popular: "parece q somos do povo dos profetas, dos judeus dos holandeses" e minha mãe contava-me historias sb Golda Meir, Ben Gurion e a formação de Israel, afirmando q seria o unico pais q a faria viajar de avião...ps é a Terra de D'us e devido ao seu lado cristão, seu sangue judaico e seu pendor p Historia, iria nem q fosse a base de calmantes.
Isso desde miúdo ouvia e fui crescendo, fui vasculhando o passado, descobrindo os costumes fúnebres, o bisavô q qndo velho se tornou adventista só pq eles guardavam o sabá ou o sabo (como ele aprendeu a chamar no engenho de sua familia e q desde de pichototinho aprendeu a respeitar). E virei estudante de história, trabalhei como monitor e depois supervisor/coordenador da monitoria do Centro Cultural Judaico de PE (Sinagoga Kahal Zur Israel) e do Arquivo Histórico Judaico de PE, publiquei trabalhos acadêmicos, fiz palestras e mini-cursos, graduei-me e continuando sempre a pesquisar só p causa desse passado judaico q às vezes tive vontade de mandar p as cucuias ou às favas ou sei lá pra onde (devido as posturas de certos filhos do meu povo q n aprenderam q col israel arevim ze laze ou q no minimo devemos respeito ao guer pq todos ja fomos guerim um momento de nossa historia). Mas nunca consegui afastar-me dele.
E sabe por quê? Porque sou judeu, esse é MEU passado, a História que recebi, aceitei e escolhi traçá-la, continuando-a. Porque tenho um compromisso com meus ancestrais q de alguma forma queriam q eu soubesse q sou filho de Abraão, Isaque e Jacó e disso n m'olvidasse. E também fiz um brit (como diz meu último sobrenome) na carne, na alma e na mente com o Ser, o Tudo-Nada, o Inominável, o Mistério que nosso povo chamou de Adonai Eloheinu e ao qual eu me junto a todos que foram, são e virão a O chamar do msmo modo.
Não sou ortodoxo...stou a léguas disso..., não sou sionista, não sou membro oficial de nenhuma federação, embora vá a Esnoga por vezes (ao menos nas Grandes Festas, chaguim e alguns shabatot), tento manter uma certa kashrut e principalmente penso, sinto e me relaciono com o mundo como judeu, pois amo o Judaísmo, brigo com ele, transformo-lhe, vivo-lhe e por isso sou ele também.
Sou apenas a letra solitária q cai e s'ergue n'Aliança d'ELE. (Nun no Brit'O).
2º Festival de Cinema Judaico de Curitiba estreia com A Chave de Sarah
Entre os dias 17 e 20 de setembro, a Comunidade Israelita do Paraná promove o 2º Festival de Cinema Judaico de Curitiba, no Shopping Novo Batel. Serão realizadas exibições dos seguintes filmes: A Chave de Sarah, Irmãos, Uma Centena de Vozes: de Volta para Casa, Os Nomes do Amor, 100 Anos de Imigração do Leste Europeu ao Brasil, Rua da Nossa Senhora 4, Avós, além de curtas da Universidade de Tel Aviv.
As produções de diferentes nacionalidades discutem temas variados da cultura judaica como religião, política e o Holocausto. O grande destaque fica por conta da estreia em Curitiba do drama francês A Chave de Sarah. Recém-lançado foi muito bem recebido pelo público e pelos críticos de cinema na França e nos Estados Unidos, sendo considerado um dos melhores filmes com a temática do Holocausto. No Brasil teve a estreia durante o Festival de Cinema Judaico de São Paulo, em agosto, e agora chega a Curitiba. O crítico Luiz Carlos Merten afirmou no jornal O Estado de S. Paulo: “Se você pensa que o cinema já esgotou o tema do Holocausto, prepare-se. O filme descobre um novo viés para encarar o horror do massacre de milhões de judeus durante a 2ª Guerra”.
Com direção de Gilles Paquet Brenner e atuação de Kristin Scott Thomas (“O Paciente Inglês” e “O Garoto de Liverpool”), conta a história de uma jornalista americana que mora na França e é designada para cobrir as comemorações do 60º aniversário do Vel d'Hiv. Ao apurar os fatos ocorridos, a repórter constata que o apartamento para o qual ela e o marido planejam se mudar pertenceu aos Starzynski, uma família judia imigrante que fora desapossada pelo governo francês da ocupação. E resolve descobrir o que aconteceu com a família de Sarah. O Vel d'Hiv marca o episódio em que a polícia francesa concentrou no Velódromo de inverno de Paris 13 mil judeus que foram entregues aos nazistas e enviados para a morte.
Outro filme que merece ser assistido é Irmãos, uma ficção suíça de dois irmãos que se encontram em Israel após anos separados. Um deles mora num kibutz e o outro é especialista na religião judaica, mostrando uma sociedade dividida entre princípios religiosos e políticos.
Sinopses
A Chave de Sarah – França, Drama, 111’, 35 mm. Direção: Gilles Paquet Brenner; Atuação: Kristin Scott Thomas (“O Paciente Inglês”, “O Garoto de Liverpool”). Adaptado do Best Seller francês homônimo, o filme conta a história de Julia Armond, uma jornalista americana que vive na França e é designada para cobrir as comemorações do 60º aniversário do Vel d'Hiv, episódio do qual ela nunca ouvira falar até então. Ao apurar os fatos ocorridos, a repórter constata que o apartamento para o qual ela e o marido planejam se mudar pertenceu aos Starzynski, uma família judia imigrante que fora desapossada pelo governo francês da ocupação, e em seguida comprado pelos avós de Bertrand. Julia decide então descobrir o destino dos ocupantes anteriores - e a história de Sarah, a única sobrevivente dos Starzynski, é revelada. A família de Sarah foi uma das muitas brutalmente arrancadas de casa pela polícia do governo colaboracionista francês. Michel, irmão mais novo da garota, se esconde em um armário e Sarah o tranca lá dentro. Ela fica com a chave, acreditando que em poucas horas estará de volta. A Chave de Sarah retrata a sofrida jornada da menina em busca de sua liberdade - dos terríveis dias em campos de concentração aos momentos de tensão na clandestinidade, e, por fim, seu paradeiro após a guerra. E à medida que a trajetória de Sarah é revelada, mais segredos são desenterrados.
100 Anos de Imigração do Leste Europeu ao Brasil - Brasil, Documentário. O filme documenta a chegada ao Brasil dos judeus do leste europeu. Suas lutas para chegar ao Brasil, se adaptar e reconstruir suas vidas. Depoimento exclusivo de Samuel Klein.
Avós – Brasil, Curta-Metragem, Ficção, 11’, DVD, Direção: Michael Wahrmann. Sinopse: Leo comemora seu décimo aniversário. De uma avó, ele ganha meias; da outra, cuecas. Do avô, Leo recebe uma velha câmera Super-8, através da qual relata a tentativa de trocar os presentes com as avós. Nesse meio tempo, descobre que Mônica Lewinsky é judia, que Clinton é o presidente da América, que os números nos braços dos avós são os responsáveis por ele ser gordinho e que a tal câmera velha não serve para mais nada.
Curtas da Universidade de Tel Aviv - Israel, Ficção, 92´, DVD - Exibida no Festival de Cannes, a seleção de curtas-metragens dos alunos da Universidade de Tel Aviv tem um forte conteúdo que explora diferentes temas que intrigam e geram discussão não apenas na sociedade israelense, mas também em todas as sociedades do mundo atual.
Irmãos - Suíça; Ficção, 116´, DVD, com Baruch Brener, Micha Celektar e Orna Pitussi - Dois Irmãos se encontram em Israel depois de vários anos de separação. Dan vive em um Kibutz no sul de Israel. Aharon formou-se em direito, filosofia e é respeitado como especialista da Torá. Ele vai dos EUA para Israel para defender os direitos dos estudantes da Torá. O conflito entre os dois irmãos reflete uma sociedade dividida entre princípios religiosos e políticos.
Os Nomes do Amor - França, Ficção, 96´, DVD - Baya Benmahoud (Sara Fostier) é jovem, extrovertida e vive segundo o velho slogan hippie "Faça amor, não faça guerra", tem o hábito de levar opositores políticos para a cama com o objetivo de convertê-los às causas que acredita. Tudo vai bem até que ela conhece Arthur Martin (Jacques Gamblin), judeu e cientista de meia-idade. Atraídos pela história trágica de suas famílias - a guerra na Argélia e o Holocausto sob o regime de Vichy - acabam se apaixonando.
Rua da Nossa Senhora, 4 - Israel/Ucrânia, Documentário, 90´, DVD - A história marcante, porém desconhecida de Francisca Halamajowa, uma mulher polonesa católica que arriscou sua vida para salvar 15 judeus durante o Holocausto.
Uma Centena de Vozes: de Volta para Casa - EUA, Documentário, 91´, DVD - O documentário mostra um grupo de cantores que decidiu retornar à terra de onde brotou sua música, para descobrir suas próprias raízes e visitar os lugares de onde suas famílias foram brutalmente arrancadas durante o Holocausto
VEJA A LISTA E AS FOTOS DAS SINAGOGAS MAIS ANTIGAS DO MUNDO.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_sinagogas_mais_antigas_do_mundo
SIMPLESMENTE MARAVILHOSO!
"A Travessia da Terra Vermelha -Uma Saga dos Refugiados Judeus no Brasil", romance histórico de Lucius de Mello, relata a vida dos refugiados judeus nas décadas de 30 e 40 que encontraram abrigo no norte do Paraná. Para escrever o romance o autor entrevistou descendentes diretos dos pioneiros, no Brasil e na Alemanha.
"Ao vasculhar as memórias desses refugiados fui tocado por um passado vivo que nos remete ao Holocausto enquanto fenômeno político e crime
contra a Humanidade", disse o autor, que é escritor, jornalista e pesquisador da USP.
"A Travessia" conta a saga de cerca de 80 famílias alemãs, judias e cristãs, que fundaram a cidade de Rolândia, próximo a Londrina. Naquela época, a região era uma verdadeira selva. Fugindo da perseguição nazista, os refugiados judeus atravessaram o Atlântico, tomaram o trem e, por ironia, viraram vizinhos de alemães nazistas em pleno interior do Brasil.
Sem saber, os refugiados judeus se refugiaram numa colônia alemã parcialmente nazista. O livro publica, em primeira mão, fotos das festas hitleristas realizadas em Rolândia na década de 30. O autor também revela um cartaz usado em campanha anti-semita no interior do Paraná. A intenção do ditador alemão Adolf Hitler era transformar Rolândia numa colônia nazista modelo na América do Sul.
O livro traz fotos das festas que os nazistas realizavam para celebrar o aniversário de Hitler, com o contraste dos símbolos nazistas tremulando próximo a árvores típicas da região, como caviúnas, perobas rosas e figueiras brancas.
Entre os refugiados judeus, estavam médicos, físicos, botânicos, artistas, advogados, juristas, professores universitários que foram obrigados a deixar a vida confortável que tinham na Alemanha para trabalhar na roça no Brasil.
Eles foram ajudados pelo ex-deputado do partido católico alemão Otto Prustel. Pouco antes de Hitler começar a perseguição aos judeus, eles conseguiram salvar parte do dinheiro que tinham e comprar terras no Brasil. Prustel criou a chamada "operação triangular": os judeus alemães compravam peças (trilhos, parafusos, locomotivas, vagões,etc), das fábricas alemãs, em nome da companhia inglesa Paraná Plantation, responsável pela construção da ferrovia São Paulo-Paraná aqui no Brasil. Em troca, recebiam dos ingleses títulos das terras que viriam ocupar no Paraná.
Histórias
Entre as histórias curiosas relatadas pelo romance, estão a da soprano que dava recitais líricos na fazenda e cantava para amenizar a saudade dos amigos, dos parentes e do primeiro amor, um pianista, que morreu lutando na Primeira Guerra Mundial. Ela dava aulas de piano e canto para as crianças da colônia e cantava uma ária da ópera "Madame Butterfly", de Puccini, porque acreditava que a música estimulava Berenice, a vaca leiteira, a produzir mais
O livro conta as dificuldades dos refugiados no meio do mato, as doenças, os insetos, os bichos, o preconceito, a falta de socorro médico, a saudade de quem não conseguiu fugir e morreu nos campos de concentração.
Eles acompanhavam as notícias da guerra por um único rádio, que a polícia política só permitiu que ficasse na colônia porque pertencia a um imigrante polonês.
Havia uma família judia que se correspondia com o pintor Candido Portinari e que ganhou do artista quatro óleos sobre tela. O livro publica cartas e cartões trocados entre o pintor e os amigos judeus de Rolândia.
Outra história emocionante é a da física judia que era prima e se correspondia com o físico Rudolf Ladenburg, da equipe de Albert Einstein, em Princeton, Estados Unidos. O livro publica duas cartas que Ladenburg escreveu à refugiada. Ela também dava aulas de ciência aos filhos dos cablocos da fazenda e em troca aprendia português com eles.
Integradas à nova paisagem, algumas famílias faziam questão de celebrar os ritos religiosos judeus, mesmo que timidamente. Como não havia sinagoga na colônia, convidavam rabinos de São Paulo para celebrar festividades e até um casamento.
Para aprender a falar português, os refugiados se debruçaram sobre os livros de Fernando Pessoa e Machado de Assis. Eles conseguiram trazer, de trem, grande parte das bibliotecas que tinham na Alemanha.
Pesquisa
O romance é resultado de quatro anos de pesquisa, nos quais Mello recolheu diários, anotações, fotografias, cartas, documentos e gravou dezenas de entrevistas.
Parte do material ilustra o romance, que é apresentado pela professora doutora em História da Universidade de São Paulo Maria Luíza Tucci Carneiro, pesquisadora do LEER (Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação), ligado ao Departamento de História da USP.
Na apresentação, ela diz: "Com artimanhas de escritor experiente, mescla ficção e realidade recuperando o cheiro da terra, o aroma dos chás prussianos requentados em terras brasileiras, as mágoas e as paixões secretas até então silenciadas. É na trama destes interesses velados que os preconceitos ganham forma e a coletividade deixa saber exatamente quem ela é."
A investigação histórica foi feita com base em duas teses acadêmicas sobre o tema: "Brasil, Refúgio nos Trópicos", da própria Maria Luíza, e "Rolândia, A Terra Prometida", de Ethel Kosminsky, doutora em Sociologia pela USP
Havia uma família judia que se correspondia com o pintor Candido Portinari e que ganhou do artista quatro óleos sobre tela. O livro publica cartas e cartões trocados entre o pintor e os amigos judeus de Rolândia.
Outra história emocionante é a da física judia que era prima e se correspondia com o físico Rudolf Ladenburg, da equipe de Albert Einstein, em Princeton, Estados Unidos. O livro publica duas cartas que Ladenburg escreveu à refugiada. Ela também dava aulas de ciência aos filhos dos cablocos da fazenda e em troca aprendia português com eles.
Integradas à nova paisagem, algumas famílias faziam questão de celebrar os ritos religiosos judeus, mesmo que timidamente. Como não havia sinagoga na colônia, convidavam rabinos de São Paulo para celebrar festividades e até um casamento.
Para aprender a falar português, os refugiados se debruçaram sobre os livros de Fernando Pessoa e Machado de Assis. Eles conseguiram trazer, de trem, grande parte das bibliotecas que tinham na Alemanha.
Pesquisa
O romance é resultado de quatro anos de pesquisa, nos quais Mello recolheu diários, anotações, fotografias, cartas, documentos e gravou dezenas de entrevistas.
Parte do material ilustra o romance, que é apresentado pela professora doutora em História da Universidade de São Paulo Maria Luíza Tucci Carneiro, pesquisadora do LEER (Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação), ligado ao Departamento de História da USP.
Na apresentação, ela diz: "Com artimanhas de escritor experiente, mescla ficção e realidade recuperando o cheiro da terra, o aroma dos chás prussianos requentados em terras brasileiras, as mágoas e as paixões secretas até então silenciadas. É na trama destes interesses velados que os preconceitos ganham forma e a coletividade deixa saber exatamente quem ela é."
A investigação histórica foi feita com base em duas teses acadêmicas sobre o tema: "Brasil, Refúgio nos Trópicos", da própria Maria Luíza, e "Rolândia, A Terra Prometida", de Ethel Kosminsky, doutora em Sociologia pela USP
Protestos em Israel
http://www.coisasjudaicas.com/2011/09/protestos-em-israel.html

Tel Aviv. Simetria dos manifestantes (Foto cedida pela Air Unit, Israel Polícia)

Tel Aviv. Vista aérea da praça (Cortesia da Air Unit, Israel Polícia)

Um rio de pessoas em Tel Aviv (Foto: Kimchi Motti)

"Nós não estamos aqui para sobreviver, estamos aqui para viver."Daphne Folha (Foto: Yaron Brener)

New York. Também a justiça social em Manhattan (Foto: Ohad Krbtz'k)

Mitzpe Ramon. Palha que quebrou as costas dos manifestantes (Foto: Gili Gurel)

Levantou a multidão no comício. Eyal Golan (Foto: Kalmar)

Tel Aviv. Hollywood Ending manifestação (Foto: Eddie Gerald)

Jerusalém. Demonstração na capital durante a noite (Foto: Noam Moskowitz)

New York. Identificação Washington Square (Foto: Ohad Krbtz'k)

Haifa. Revolução verde (Foto: descanso Avishag - Cidade)

Tel Aviv. Ambos os lados da barreira policial (Foto: Kalmar)

Kiryat Shmona. Protesto do Norte (Foto: Avihu Shapira)

New York. Revolução semelhante em Tel Aviv e Manhattan (Foto: Ohad Krbtz'k)

Kfar Yehoshua. Também deixou o show no Vale de Jezreel (Foto: Hagai Aharon)

Eilat. Residentes Resort cidade tomaram as ruas (Foto: Ruhama Biton)

Tel Aviv. Demonstração vermelho e azul (Foto: Kalmar)

Junção Shilat. Carros com os manifestantes (Foto: AP)

Tel Aviv. Árvore que dá manifestantes (Foto: AFP)

Jerusalém. Gritos e ankle boots (Foto: Gil Yohanan)
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Tel Aviv. Os manifestantes também nas varandas (Foto: Kimchi Motti)

Kfar Yehoshua. David Broza gritos Justiça Social (Foto: Yoav Bachar)

Tel Aviv. No caminho para o estado
Yeshayahu Leibowitz z"L, 1903-1994 :
Um homem de intelecto e de paixão
[ fonte: Haaretz - 15/09/2004 - traduzido pelo PAZ AGORA|BR]
O Prof. Yeshayahu Leibowitz, que foi a fonte de tanta controvérsia durante sua vida ainda gera muita agitação desde seu túmulo. .
Yeshayahu Leibowitz nasceu em 1903 em Riga, Látvia. De 1919 a 1924, estudou química e filosofia na Universidade de Berlim, tendo se doutorado em filosofia. Recebeu seu diploma de médico na Universidade da Basiléia em 1964. Em 1935, emigrou para a Palestina onde após um ano ingressou na Universidade Hebraica de Jerusalém, onde foi nomeado professor de química em 1941.
Durante a Guerra de Independência de Israel (1948), participou da defesa de Jerusalém, tendo sido comandante de batalhão na Cidade Velha. Foi também ativo politicamente desde os primeiros dias do Estado, no agrupamento "Trabalhadores Religiosos" (Haoved Hadati) da federação sindical Histadrut.
Em 1952, Leibowitz foi nomeado professor de química orgânica e neurologia. Editou a "Enclopédia Hebraica" e publicou vários livros sobre temas científicos. Leibowitz também escreveu livros sobre judaísmo e filosofia, e dedicou muito tempo ao estudo da obra de Maimônides.
Aposentou-se oficialmente em 1970, mas continuou a ensinar filosofia e história da ciência. Em 1993, sua indicação para receber o Prêmio Israel levantou protestos, incluindo um anúncio do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, dizendo que não iria participar da cerimônia de premiação caso Leibowitz fosse homenageado.
Yeshayahu Leibowitz, paradigma do judaísmo humanista, faleceu em 18 de agosto de 1994.
ELE ME CHAMAVA DE "JEZEBEL"
[ Shulamit Aloni ]
Durante todos meus muitos anos de trabalho público, houve dois incidentes nos quais sucumbi à brutal pressão de histeria patriótica que era errada e desnecessária, mas impressionante.
Um desses incidentes envolveu a revolta no governo Avodá/Meretz e de grande parte do Knesset contra a concessão do Prêmio Israel ao Prof. Yeshayahu Leibowitz por sua vida de realizações. A campanha movida contra Leibowitz incluía selvagens acusações de jornalistas e outras disseminações virulentas. Eu então era a ministra do gabinete responsável pela premiação.
Eu sabia que não poderia me render a essas cruas difamações e que não deveria retroceder de uma decisão unânime tomada por um comitê eleito, mas acabei cedendo e ainda sinto vergonha por isso.
Eu não deveria ter sucumbido, apesar da firme posição tomada pelo então primeiro-ministro Yitzhak Rabin, que anunciara publicamente que não iria assistir à cerimônia de premiação se a decisão de conceder o prêmio "àquele homem" não fosse mudada. Como alguém que conhecera Rabin pessoalmente por muitos anos, eu deveria ter ido a ele pessoalmente para persuadi-lo a agir diferentemente.
O que aconteceu foi que antes que eu tivesse tentado vencer as ondas de raiva e ódio, o próprio Leibowitz informou-me, através de seu amigo e aluno Prof. Avi Ravitzky, que se iria afastar de todo esse caso, para não causar embaraço a Rabin. Fiquei envergonhada e então me certifiquei de que o álbum de premiados listaria os indicados que recusaram receber o prêmio, incluindo David Ben-Gurion e Yeshayahu Leibowitz. Infelizmente, os ministros que me sucederam não honraram este costume.
Leibowitz costumava dizer que só o corpo de uma pessoa morre, mas a pessoa continua a existir. É uma pena que ele não estivesse tão certo nesse ponto, porque se ele ainda estivesse vivo entre nós, sua voz iria soar muito alto e ressoaria em muito mais pessoas, à luz do doloroso fato de que o que ele dizia realmente tinha se tornado realidade: que nossa democracia estava definhando, e que o poder do exército, do serviço secreto e do Sr. Yehiel Horev, chefe da segurança do Ministério da Defesa, são mais forte do que o Parlamento.
Ouvi Leibowitz pela primeira vez ainda antes de Israel se tornar um Estado. Foi em 1945, quanto eu estava na 11ª série no Colégio de Beit Hakerem em Jerusalém. Foi uma palestra festiva de 6ª feira para os alunos das séries superiores, realizada no salão de concertos e conferências. Atrás do palco, havia uma grande lousa que oferecia ao palestrante um grande espaço para ilustrar seus comentários. Ele fez uma palestra, tão apaixonada como bem organizada, sobre a importância e o significado das ciências naturais, sobre novas pesquisas que estavam descobrindo os segredos do universo e da vida, e sobre novos caminhos para pesquisa. Era uma palestra de um cientista: clara, intrigante, que inspirava uma paixão pelo conhecimento.
Mas, quando terminou a apresentação, pegou o apagador e rapidamente apagou tudo que tinha escrito na lousa, e declarou que tudo era sem sentido e que jamais seria capaz de aprender o segredo da Criação. Tudo é o trabalho de Deus, disse, e nós nunca seríamos capazes de compreender os caminhos de Deus.
Fez-se silêncio no salão. Mas então seguiu-se uma explicação. Tudo que uma pessoa faz e tudo que a ciência revela podem ser comparados ao trabalho de pedreiros. Eles sabem como preparar tijolos, como assentá-los e como construir uma casa. Mas não conhecem o projeto ou o objetivo, nem entendem as razões para eles.
O mesmo ocorre conosco, explicou. À medida que estudamos e fazemos pesquisas, jamais entenderemos a fonte da sabedoria e do entendimento (Todos estudamos o Livro de Jó e os belos capítulos onde Deus lhe responde e aponta a incapacidade humana de entender o mito e o segredo da Criação). O jeito em que Leibowitz terminou sua palestra foi surpreendente e um tanto estranho. Não tenho o texto da palestra, mas ainda posso vê-lo claramente no salão e ouvir sua voz.
Suas palavras capturaram meu interesse. Comecei a ler os artigos que ele publicava nos folhetos da sinagoga Yeshurun de Jerusalém e fui a vários lugares ouvir suas palestras. Acompanhei suas discussões com e contra Ben-Gurion, e finalmente tornei-me sua seguidora e, ocasionalmente sua debatedora em palestras conjuntas.
Até a Guerra dos Seis Dias, a maior parte das discussões tratavam das relações entre religião e Estado, coerção religiosa e a necessidade de casamentos civis como forma de equalizar o status das mulheres com o dos homens.
Ele frequentemente ventilava comigo sua raiva de Ben-Gurion, o partido dominante Mapai e a hipocrisia de sua aliança com o Grão-Rabinato. Dizia que o Estado era a amante dos rabinos, e falava de uma aliança entre a descrente Shulamit Aloni, a hipocrisia do Partido Nacional Religioso e o ratinato. Teve, até mesmo, a dúbia distinção de chamar-me de "Jezebel", ainda antes de ter concedido esta "honraria" para Golda Meir.
Leibowitz falava contra as concessões feitas em nome da "unidade nacional".
Quando a Lei da Corte Rabínica (governando casamentos e divórcios, e estado civil em geral) foi promulgada, quando depois Golda Meir transformou a Lei do Retorno numa lei religiosa que agora separa mães e filhos e demanda que milhares de cidadãos se submetam a conversão (envolvendo assumir um novo nome, cortando laços com o passado e adotando um estilo de vida religioso), quando Meir, junto com Yaakov Shimshon Shapira (o ministro da justiça conhecido por sua linhagem rabínica) e os ateus do Partido Ahdut Ha'avoda (União do Trabalho) rejeitaram a recomendação da Suprema Corte de deletar os ítens "religião" e "nacionalidade" do Registro da População, e listar apenas "cidadania", e quanto eles determinaram que a definição ortodoxa de judeu deveria ser aplicada à Lei do Retorno.
Em todos esses casos, Leibowitz refutou seus argumentos e até me permitiu citá-lo em meu livro "The Arrangement: From a State of Law to a State of Halakha" [A Transformação de um Estado de Direito em um Estado da Lei Religiosa Judaica], publicado em 1970.
RELIGIÃO E ESTADO
"O argumento de que o reconhecimento de casamentos civis pelo Estado iria dividir o povo judeu em dois grupos que não poderiam se casar entre si é fundamentalmente falso. É falso que tal tipo de reconhecimento iria minar a instituição do casamento. Aqueles que defendem esse argumento ignoram, conscientemente ou não, a realidade de centenas de milhares de judeus religiosos nos países ocidentais, que vivem suas vidas pessoais em santidade de acordo com a Torá, sob jurisdição das leis de Estado que reconhecem (como na Inglaterra) e mesmo exigem (como durante a República alemã de Weimar) casamentos e divórcios civis. Um judeu observante pode continuar se casando sob uma chupá numa cerimônia judaica e se, lamentavelmente, um casal decidir se separar, podem similarmente fazê-lo de acordo com as leis de Moisés e Israel."
"Seria suficiente para aqueles que se rebelam contra a religião registrar seus 'casamentos' ou 'divórcios' numa repartição governamental sob um procedimento a ser estipulado na lei. Esses dois termos-chave aparecem aqui entre aspas porque, por uma perspectiva religiosa, não existe nesses casos nenhum casamento, mas apenas relações sexuais com uma mulher solteira. Portanto, o divórcio não é tampouco um tema aqui. Se nenhum casamento teve lugar, não há mamzerim [bastardos] e um filho nascido fora do casamento não é proibido de fazer parte da comunidade. Temos ainda de ver as instituições da Torá discutindo seriamente o significado haláchico [pela lei religiosa judaica] dos casamentos civis. .. Isso iria reduzir o temor da mamzerut [condição de bastardo] ao mínimo e constituiria um grande avanço sobre a atual situação legal pertinente a casamento e divórcio, que produz um crescente número de mamzerim em Israel ... Mas não se deve esperar que as instituições rabínicas discutam esse assunto objetivamente, porque elas tem seus próprios interesses nesse tema", tais eram as palavras de Leibowitz.
Para enfatizar as limitações dos seres humanos, ele costumava citar o capítulo 28 do Livro de Jó: "Mas onde deve ser encontrada a sabedoria? E onde está o lugar do entendimento? e citou a quase arrogante resposta de Deus: "Manter o temor ao Senhor, é a sabedoria, e afastar-se do mal é entendimento" - Eu pensava que ele estava brincando comigo ou achando que eu era estúpida. Mas fiquei triste ao ouvi-lo declarar em uma de suas palestras, com toda seriedade, que a coisa mais importante era o que estava escrito no final da Kohelet (Eclesiastes): "O final do assunto: tudo foi ouvido. Tema Deus, e guarde seus mandamentos, porque este é todo o dever do homem".
Isto é muito fácil, muto simplista para mim, salvo se estiver falando de Deus nos termos de Spinoza. Mas ele estava falando sobre o Deus de Israel e a observância dos mandamentos como serviço a Deus, como se todos os esforços da mente humana para alcançar um entendimento da Criação do universo - que gente como nós acredita ser possível - fossem nulos e inúteis.
Um dia, durante uma longa viagem para uma palestra, falou de si mesmo. E não no seu tom costumeiro. "Você tem de entender, sentir a maravilhosa experiência de ir à sinagoga todos os dias de madrugada ao alvorecer e recitar as orações matinais junto com um minián [quorum] de outros judeus - cada qual com sua própria profissão, seus próprios problemas e seu próprio mundo - mas, ainda assim, ficando juntos por anos e recitando as mesmas orações que foram pronunciadas aqui e ali e no passado".
Com toda a sabedoria e conhecimento, a crença de Leibowitz em Deus está além da crítica e ele me lembra as palavras do poeta que escreveu os Salmos (73:22): "Tão tolo [era] eu, e ignorante eu era [quanto] uma besta diante dele".
[ publicado no Haaretz em 15|09|2004 e traduzido pelo PAZ AGORA|BR - www.pazagora.org ]
Ah, 2/3 da minha via foi vivida aqui nos EUA, de modo que sou avido pelas coisas do Brasil - judaísmo incluso. Aqui conheço as Schuls, os judeus do Norte, do Sul, onde eu moro, os de Nova York e os mais ouriçados de Los Angeles, onde vivi 17 anos. Mas pouco conheço da Comunidade do Brasil, e o pouco que eu vi, por vezes me espanta: Por exemplo, a imigrações judaicas Azkenazhin para o Brasil, as Colonias Hirsch, por exemplo: As duas Colonias ICA do Interior do Rio Grande do Sul, de onde veio os Mendels, Groismans, Steinbruchs, Rabinovichs e por ai vai. Há também um lindo cemitério judaico em Erechim e um histórico grande sobre estes gaúchos de bombachas. Creio que se não atentarmos a resgatar esse tema, eles poderão ser diluído numa cuia de mate quente. Mas a minha maior preocupação com esta Comunidade de bombacha, os judeus da “Nação Mamacúia” (não Macunaíma), é que muitos estão preocupados em serem germanizados e outros andam deslumbrados encantados com sua tez clara e olhos azulados, troféus (no Terceiro Mundo) em potencial de jogadores de futebol ou de negociantes abastados... Bem, observando essa assimilação “empenada”, eu ate que posso viver num baixo nível de humor mordaz; mas quando esporadicamente vejo alguns deles quase dando um Zig-Heil de caboclo, o Anauê Tupinambá... Aí a paciência enche, e por pouco meu humanismo vai as “cucuias”.
Shmuel de Mattos, SC, USA
SEMPRE ME PERGUNTAM COMO FAZER PARA IDENTIFICAR SE OS ANTEPASSADOS ERAM JUDEUS.
AQUI VAI UM TRABALHO DO PROFESSOR EDUARDO MAYONE DIAS QUE PODE AJUDAR BASTANTE.
Costumes de cristãos-novos nas tradições familiares
Em 1997, o Professor Eduardo Mayone Dias, professor emérito da Universidade da Califórnia (UCLA), sugeriu uma lista de perguntas e de costumes que podem indicar uma possível origem judaica de uma família. A lista original do Prof. Dias foi expandida e adaptada, mas é ainda incompleta, pois não abrange todos os costumes possíveis. São apresentadas práticas possivelmente já esquecidas pelas tradições familiares no decorrer dos tempos. Compare tais práticas com as tradições de sua família, se possível com a ajuda dos familiares mais antigos que possuir (pais, tios, avós, bisavós).
Família
Alguém, pai, avô, ou outro parente, já falou algo sobre a família ser de judeus?
Na cidade em que a família morava, há algum judeu ou comunidade judaica antiga?
Alguém da família fala/falava alguma língua desconhecida? Parecia com o espanhol? Era totalmente desconhecida?
Algum parente evita ou evitava igrejas católicas?
As Igrejas, mesmo católicas, que os familiares freqüentavam não tinham imagens?
As Igrejas tinham divisão, com local para os homens e local para as mulheres ficarem?
Qual a relação dos familiares com a igreja católica e com os membros do clero? (uma relação de aversão, ironia, chacota, raiva, desprezo pode indicar origem judaica)
Alguém da família participava de reuniões secretas, ou de encontros onde só homens ou só os pais podiam ir? Ou de algum grupo de oração secreto?
Os nomes bíblicos são/eram comuns entre os familiares?
Ritos Natalícios
Colocar a cabeça de um galo em cima da porta do quarto onde o nascimento iria acontecer.
Depois do nascimento, a mãe não deveria descobrir-se ou mudar de roupas durante 30 dias. Ela deveria permanecer em repouso em sua cama, e afastada do contato com outras pessoas, pois segundo a Lei, a mulher fica impura durante vários dias após um parto (veja o livro de Levítico, capítulo 12). Parecida com esta prática é a de afastar-se do contato com o esposo no período menstrual, em que também é considerada impura (Levítico 15, 19-33).
Ainda durante esses trinta dias, a mulher só comia frango, de manhã, de tarde e de noite. Dava “sustância”, força para a recuperação.
Lançar uma moeda prateada na primeira água de banho do bebê.
Dizer uma oração oito dias depois de nascimento na qual o nome do bebê é citado.
Realizar a circuncisão ou mesmo batizar o menino ao oitavo dia de nascido.
Acender alguma vela ou lamparina no quarto onde o parto ia acontecer, porque o menino não podia ficar no escuro até ser batizado (ou circuncidado).
Logo após o batismo, raspar o óleo da crisma e colocar sal na boca da criança.
Ritos Matrimoniais
Os noivos e seus padrinhos e madrinhas deveriam jejuar no dia do casamento.
Na cerimônia, as mãos dos noivos eram envoltas por um pano branco, enquanto fazia-se uma oração.
Da cerimônia seguia-se uma refeição leve: vinho, ervas, mel, sal e pão sem fermento.
Noivo e noiva comiam e tomavam do mesmo prato e copo.
Refeições
A prática de jejuns era comum.
Era proibido comer carne com sangue. Às vezes também se retiravam os nervos, com uma faca especial para tal.
O sangue caído ao chão no abate do animal era coberto com terra ou mesmo propositalmente derramado todo ao chão e depois coberto com terra.
A faca usada no abate de animais para consumo era testada na unha.
Ovos com mancha de sangue eram jogados fora.
Não se comia carne de porco, pois é considerada impura.
Não era permitido cozinhar carne e leite juntos. Ás vezes esperava-se um certo tempo entre a ingestão do leite e da carne.
Comia-se apenas comida preparada pela mãe ou pela avó materna.
Um menino deveria jejuar durante 24 horas antes de completar sete anos.
Costumava-se beijar qualquer pedaço de pão que cai no chão.
Era proibido comer carne de animal de sangue quente que não tivesse sido sangrado.
Havia certas restrições quanto aos tipos de peixe comestíveis: os peixes “de couro” (sem escamas) não serviam para consumo, e às vezes só os peixes do mar podiam ser ingeridos. Moluscos e mariscos também eram proibidos.
Costumes
Acender velas nas sextas-feiras à noite.
Celebrar a Páscoa, e jejuar durante a Semana Santa. As datas da Páscoa Cristã e da Páscoa judaica freqüentemente coincidem.
Limpar a casa nas sextas-feiras durante o dia.
Era proibido fazer qualquer coisa na sexta-feira à noite (até mesmo lavagem de cabelo).
Realizar alguma reunião familiar nas sextas-feiras à noite.
Aos sábados, velas eram acesas diante do oratório e deveriam queimar até o fim do dia.
Havia roupas especiais para o sábado. Às vezes eram simplesmente roupas novas ou roupas limpas.
Dizeres comuns: “O Sábado é o dia da glória”, ou “Deus te crie” (Hayim Tovim), para quando alguém espirrava.
Comemorações diferentes das católicas, como o “Dia Puro” (Yom Kippur) ou algum feriado de Primavera. Era costume de alguns acender no Natal oito velas.
Em imitação a alguns personagens bíblicos, quando acontecia algo importante, rasgavam-se as vestes.
Um costume ainda muito comum hoje em dia era varrer o chão longe da porta, ou varrer a casa de fora pra dentro, com a crença de que se o contrário fosse feito as visitas não voltariam mais. Na verdade esta prática está ligada ao respeito pela Mezuzah, que era pendurada nos portais de entrada, e passar o lixo por ela seria um sacrilégio.
Ao abençoar um filho, neto ou sobrinho, costumava-se fazer com a mão sobre a cabeça.
Como o dia judaico começa na noite do dia anterior, o início de um dia era marcado pelo despontar da primeira estrela no céu. Assim o sábado (dia de celebração nas casas judaicas), começava com o despontar da primeira estrela no céu da sexta-feira. Se uma pessoa demonstrasse alguma reação publicamente com relação a tal estrela, ela seria alvo de suspeitas. Um adulto consegue conter-se, mas uma criança não. Então ensinava-se às crianças a lenda de que apontar estrelas fazia crescer verrugas nos dedos.
Ritos Fúnebres
Cobrir todos os espelhos da casa.
Toda a água da casa do defunto era jogada fora.
Cortar as unhas do defunto (ou pelo menos um par delas) como também alguns fios de cabelo e envolver tudo em um pedaço de papel ou pano.
Lavar o corpo com água trazida da fonte em um recipiente novo, que nunca tenha sido usado, e vestir o corpo em roupas brancas, as mortalhas.
O corpo era velado durante um dia, e então uma procissão levava-o à igreja e de lá ao cemitério.
A casa então era lavada.
Durante uma semana manter-se-ia o quarto do finado iluminado.
A casa da família enlutada fechada ao máximo, durante uma semana, com incenso queimando pelos cômodos. Quase ninguém entrava ou saía durante esse período.
Os homens não se barbeavam durante trinta dias.
Manter o lugar do defunto à mesa, encher o prato dele ou dela e dar a comida a um mendigo.
Não comer carne durante uma semana depois de uma morte na família.
Jejuar no terceiro e oitavo dia e uma vez a cada três meses durante um ano.
Convidar um mendigo para comer e servir a comida que o morto mais gostava.
Colocar comida perto da cama do defunto.
Fazer a cama do defunto com linho fresco e queimar uma luz perto dela durante um ano.
As parentes mulheres deveriam cobrir suas cabeças e esconder as faces com uma manta.
Ir para o quarto do defunto por oito dias e dizer: "Que Deus te dê um boa noite. Você foi uma vez como nós, nós seremos como você ".
Passar uma moeda de ouro ou prata em cima da boca do defunto, e então dá-la a um mendigo.
Passar um pedaço de pão em cima dos olhos do defunto e dá-lo a um mendigo.
Dar esmolas em toda esquina antes da procissão funerária chegar ao cemitério.
Dar pelo menos para um mendigo um terno completo e comida aos Sábados durante um ano.
Ter várias luzes iluminando em véspera de Dia Puro, em memória do defunto.
Em algumas cidades havia o chamado “abafador”, que deveria ajudar alguém gravemente doente a ir embora antes que um médico viesse examiná-lo e descobrisse que o enfermo é judeu. O abafador, a portas fechadas, sufocava o doente, proferindo calmamente a frase “Vamos, meu filho, Nosso Senhor está esperando!”. Feito o trabalho, o corpo era recomposto e o abafador saía para dar a notícia aos parentes: “ele se foi como um passarinho...”.
Objetos
Estrela de Davi (estrela de 6 pontas), usada em paredes e em jóias, algumas vezes era vista como amuleto.
SINOS E VALSAS
Os sinos de Jerusalem nunca emudeceram;
Sera que as valsas Vienenses ensurdeceram,
Afinal,
Os filhos de Israel?
Shmuel de Mattos